INFORMAÇÃO É FORMAÇÃO

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A FAMA DA INCOMPETÊNCIA NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Quem dizer que nunca ouviu ou viu "a fama da incompetência" talvez esteja a faltar com a verdade. Isto porque, nos últimos tempos a fama da incompetência tem estado ligada a nós regularmente. Lembra-se da famosa frase do então senador americano Hiram Johnson, que diz:

-"A primeira vítima, quando começa a guerra, é a verdade". Pois bem, a referência a referida frase deve-se ao facto de que, nos últimos tempos quase todas sociedades parecem estar ligadas a um novo tipo de sociedade(passa a redundância) "no caso a sociedade virtual" descrita no livro Pensar Social, Exercer Cidadania.

Mas alguns talvez dirão:

- Mas nós não estamos em guerra!

Pois bem; infelizmente quem assim pensar está enganado. Sim estarão enganados, os que assim pensarem. E como redigia, infelizmente estamos em guerra sim!

Estamos na guerra da informação; dai o recurso a famosa frase do então senador americano Hiram Johnson.

Estamos em guerra sim! E quase pelo mesmos motivos que originaram as grandes guerras, no caso a ambição pelo poder.

Se a primeira guerra mundial teve como pretexto de fundo a insatisfação da partilha das então colônias, por parte de alguns países na época considerados como grandes potências mundiais, hoje devido a ligação ao mundo virtual, as grandes potências, assim como os países emergentes, incluindo os países em via de desenvolvimento, todos arrolados no mundo das tecnologias de informação e comunicação e pela ambição do poder confrontam-se numa grande guerra para o controlo da informação mundial.

Lembra-se? Informação é poder.  Assim sendo, é com base nesta mesma busca, para o domínio da informação, isto é, para serem detentores do poder, para poderem influenciar as sociedades, é com base nesta ânsia do poder da informação que nos deparamos com uma guerra sob a capa da instauração da democracia, promovida pela arma revolucionária designada "internet" e as suas inovações constantes designadas "redes sociais" que nos submetemos a fama da incompetência.

Mas se a fama da incompetência se parece tão famosa, porquê que muitos apesar de já terem convivido com ela, como podem afirmar não a conhecerem? O que é a fama da incompetência?

A fama da incompetência é nada mais, nada menos, do que as falsas informações produzidas e partilhadas na internet. Dai o paralelismo a célebre frase "A primeira vítima, quando começa a guerra, é a verdade"; pois porque em tempos da guerra da informação, onde "todos parecem falar ao mesmo tempo, produzindo ruido" somos muitos os utilizadores da internet, que é subsequentemente a plataforma das redes sociais, onde muitos entre nós utilizadores destas tecnologias, nos esquecemos de auto nos questionar, sobre como são construídas as informações que recebemos e quase que roboticamente as partilhamos sem avaliar-mos a veracidade das mesmas, ou não, e consequentemente, nos esquecemos de reflectir sobre a dimensão e as consequências que tais informações podem ter quando partilhadas por cada um de nós.

É neste frenetismo quase como inconsciente que nos encaramos, sobre pretexto da partilha de informação, que nos tornamos gratuitamente soldados promotores da fama da incompetência!

Partilhamos vídeos, partilhamos informações resultantes de boatos e falsidades, evocamos de forma desmedida o nome do senhor, desenvolvemos irracionalmente o ódio, construímos falsos amores virtuais, sem percebermos que estamos no meio de uma guerra "a guerra das sociedades da informação, onde o nosso inimigo somos nós mesmos, isto em cada instante que agimos como máquinas sem refletirmos que informação devemos consumir nas redes sociais, sem fazermos o mínimo de esforço, em pensar porquê que devo partilhar esta ou aquela informação?

E sem percebermos somos assim os promotores da fama da incompetência, porque muitas vezes acabamos por promover a mentira ideológica que nada mais é, do que a busca para conquistar o consentimento público por parte de quem emite tais informações.

É nesta realidade da fama da incompetência, por não se reflectir sobre que tipo de informações consumimos durante o processo da formação da nossa opinião, que acaba por ser uma promotora da incompetência!

*Bento José dos Santos.
Comunicólogo, Assessor Político e Social; Pesquisador e Escritor.*

sábado, 25 de novembro de 2017

*A ESPIRAL DO SILÊNCIO NO CONTEXTO SOCIAL E POLÍTICO ANGOLANO EM TEMPOS DA NOVA REPÚBLICA* 

Por: Bento dos Santos

Hoje, recebi uma chamada que motivou-me a escrever o presente texto. Durante a chamada fui inquerido se certa pessoa podia ou não opinar sobre os diversos assuntos de cariz politico e social, que tem ocorrido nos últimos tempos.

Como sabemos, isto porque foi o que muitos vivenciamos durante as eleições, apesar das inúmeras manifestações sépticas, era previsível que a realização das eleições de 23 de Agosto do presente ano (2017) iria provocar uma mudança no paradigma político e social no contexto da sociedade angolana. E para afastar os receios vigentes na ocasião das eleições, nos parece que os últimos factos decorrentes no contexto político e social angolano, acabaram por nos liberar das mais profundas necessidades de realizarmos incursões com longas abordagens, que a nosso entender, mais seriam para avivar qualquer mente, antes sépticas, caso o assunto actual a abordar for “exonerações”. 

Com as alterações que estão a ser realizadas no xadrez governativo, nos parece que o adágio “ver para querer” tem afastado os septicíssimos até então vigentes nas memórias de muitos cidadãos.

Porém, a mudança do paradigma político actual, e aqui destacamos o facto da regularidade que se dá actualmente a palavra “paradigma” que parece estar em voga na nossa sociedade intelectual, pois agora na boca dos bons falantes 《》escuta-se com regularidade "novo paradigma para aqui, “novo paradigma para acóla” enfim, como transcrevíamos, o novo paradigma político e social tem dado origem a vários cenários, entre os quais, para nós importa destacar o da formação da opinião pública.

Com a actual abertura promovida pelo recém-eleito e investido, Presidente da República, João Lourenço, nos parece que uma pergunta tem inquietado muitos militantes, amigos, simpatizantes e até mesmo opositores do partido maioritário. A pergunta é: 

- Devemos falar, ou não?!

- Será que já é o momento ideal para emitir a nossa opinião, ou ainda é cedo para tal, o que nos levaria a tecer opiniões desconcertadas?

- Onde e quando devemos falar?

- Porquê que devemos falar?

Entenda-se, o falar que fazemos referência, trata-se propriamente de opinar sobre os diversos assuntos de interesse público, actualmente circulantes na esfera pública.

Todavia, para uma melhor elucidação, achamos conveniente subsidiarmos a nossa reflexão com base numa das teorias das ciências da comunicação, no caso a teoria da espiral do silêncio, proposta, em 1973, pela socióloga alemã Elisabeth Noelle-Neumann.

A teoria da espiral do silêncio, ou teoria do silêncio se assim preferirem, cujo conteúdo incide sobre a relação entre os meios de comunicação e a opinião pública e que representou uma nova ruptura com as teorias dos efeitos limitados, pressupõe os seguintes pressupostos: as pessoas temem o isolamento, buscam a integração social e gostam de ser populares; por isso, as pessoas têm de permanecer atentas às opiniões e aos comportamentos maioritários e procuram expressar-se dentro dos parâmetros da maioria. 

Noelle-Neumann “defendeu também que a formação das opiniões maioritárias é o resultado das relações entre os meios de comunicação de massas, a comunicação interpessoal e a percepção que cada indivíduo tem da sua própria opinião quando confrontada com a dos outros. Ou seja, a opinião é fruto de valores sociais, da informação veiculada pela comunicação social e também do que os outros pensam.”

A socióloga admite a existência de dois tipos de opinião e de atitudes: as estáticas, que radicam, por exemplo, nos costumes, e as geradoras de mudança, como as opiniões decorrentes das filosofias de acção. Nesta corrente, as pessoas definir-se-iam em relação às primeiras por acordo e adesão ou por desacordo e afastamento. Porém, em relação às opiniões e atitudes configuradoras de mudança, os indivíduos, desejosos de popularidade e com o objectivo de não se isolarem, seriam bastante cautelosos. Assim, se a mudança se estivesse a dar no sentido das suas opiniões e se sentissem que haveria receptividade pública para a expressão dessas opiniões, as pessoas não hesitariam em expô-las.

Contudo, se as mudanças estivessem a decorrer em sentido contrário ou se as pessoas sentissem que não haveria receptividade pública para a exposição das suas opiniões, tenderiam a silenciar-se. “O resultado é um processo em espiral que incita os indivíduos a perceber as mudanças de opinião e a segui-las até que uma opinião se estabelece como a atitude prevalecente, enquanto as outras opiniões são rejeitadas ou evitadas por todos, à excepção dos duros de espírito, que persistem na sua opinião, que quanto a nós nos parece existirem poucos (...) 

E como estamos a reflectir sobre comunicação, também nos importa integrar os meios de comunicação social. Com relação ao assunto, estes tendem a consagrar mais espaço às opiniões dominantes, reforçando-as, consensualizando-as e contribuindo para “calar” as minorias pelo isolamento e pela não referenciação. 

O que estamos a afirmar é que os meios de comunicação social, tendem a privilegiar as opiniões que parecem ser dominantes, fazendo com que essas opiniões pareçam consensuais quando de facto não o são.  

Portanto, somos de opinião que apesar da abertura politica que foi promovida pelo novo Presidente da República, que visa estimular as pessoas para terem uma comunicação pública mais participativa e responsável, a verdade que se constata é que muitos cidadãos continuam presos na espiral do silêncio. Para muitos, os tais silenciosos parecem que não estão emitir qualquer opinião propriamente dita, mas na verdade estão emitir outras opiniões através do silêncio. 

Razão que nos leva a reflectir; será que quem cala, realmente consente?

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

REACÇÕES EUFÓRICAS E AS ACÇÕES DAS MASSAS

Por: Bento dos Santos
As manifestações eufóricas resultantes da "onda de exonerações" protagonizadas pelo Presidente da República nos últimos dias, tem vindo a certificar mais uma vez o comportamento de "massa" que chegou a ser descrito de forma brilhante pelos estudos desenvolvidos pelos pesquisadores da escola alemã de Frankfurt, onde célebres intelectuais desenvolveram a conhecida Teoria Crítica da Sociedade. Entre os seus principais integrantes destacamos nomes sonantes como: Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Leo Lowenthal, Erich Fromm, Jurgen Habermas, entre outros.
Para estes pensadores, a indústria cultural actua como uma forma de padronização dos gostos e desejos dos seres humanos, voltando-os para o consumo, aqui falamos em particular do consumo da informação.
A referência ao consumo da informação se estende a vida para o trabalho e a diversão como forma de alienação, caracterizada pela forma das pessoas não conseguirem reconhecer que são retirados da sua própria existência em função das influências produzidas pelo consumo de informação proveniente dos meios de comunicação social. A mídia e a propaganda actuam como principais elementos de massificação dos sujeitos. Pela mídia todos desejam imitar “as figuras públicas ou procuram seguir e fazer aquilo que esta na moda; seguindo uma onda que os identifica com aqueles que aparentemente representam a opinião da maioria e que supostamente a maioria aprova, mas que na realidade, na esfera pública taís  aparências ou percepções são apenas resultados da disseminação da informação difundida pela mídia, onde se cria uma percepção de que aquilo de está a ser dito é o melhor para todos, ou seja é a opinião pública"...
Apesar da comunicação ter uma visão macro da cultura de massa, e individualmente, da cultura popular, partindo do princípio de que cada ser tem seu próprio pensamento, a realidade é que as pessoas geralmente reagem em função do comportamento dos seus guias ou das suas "estrelas" entenda-se, as pessoas agem influenciadas directa ou indirectamente em função das reacções daqueles que eles elegem e credibilizam como seus formadores de opiniões, isto em função do protagonismo público que estes têm na esfera pública.
Para exemplificar podem ver o número de reacções ou "comentários" que tem nos posts de alguns jornalistas, analistas ou políticos, como Ismael Mateus, Reginaldo Silva, Celso Malavoloneke, Luísa Rogério, Graça Campos, João Pinto e tantos outros líderes de opinião da nossa esfera pública.
Porém, o conceito de massa ou da indústria cultural é aqui abordado em função das reacções massivas onde a febre da aparente satisfação parece ter deslumbrado vozes antes "omissas" mas que faziam eco ao adágio popular "quem cala consente"!
Talvez devemos entender o motivo de tanta euforia, centrados na propagação
dos efeitos da mídia pela forma que deu cobertura a matérias ligadas a empresa pública Sonangol que pelo seu posicionamento na economia angolana e muito dos seus assuntos acabam por ser de interesse público, pois as acções dai resultantes tem efeitos primários na vida dos cidadãos.
Por exemplo, quando se aumenta o preço da gasolina, geralmente toda estrutura de preços no mercado nacional, sofrem alterações. E mais se pode ver com relação ao preço do barril de petróleo no mercado internacional, que tem reduzido as perspectivas de vida melhor, pela escassez de divisas, entenda-se dólar ou euro.
Mas, no meio de tanta euforia, o que está mesmo a passar como se nada fosse são os outros assuntos que entre tantos, alguns serão discutidos na sessão plenária da assembleia a ser realizada no dia 17/11/017, onde se pretende avaliar a aprovação da pauta aduaneira revista, que para muito de nós, esta pauta tem sido a pauta das reprovações, e que infelizmente muitas das políticas ai constantes não se ajustam a nossa actual realidade. Mas como o assunto ainda não está na moda...quem sabe não ficará para depois (...);
Outra situação que parece ter ficado também "adormecida" é a questão do aumento da criminalidade. Por termos novos assuntos que dominam os temas de interesse público, a pressão que se vinha fazendo, sobre a necessidade de se conter os índices da ascensão da criminalidade parece que ficaram por baixo da mesa na euforia das abordagens da mídia e dos cidadãos.
Perante a tanta euforia três lições podem ser apreendidas.
1- A maioria geralmente dança a música que esta na moda, e procuram dar os toques da dança que esta na moda;
2- Para muitos nem sempre o prioritário é o mais importante;
3- A maioria nunca escolhe o que quer realmente, geralmente escolhe o que os outros lhes dizem ser melhor e esquecem o que lhes poderá ser útil no futuro;
Infelizmente por assim ser, muitos são os que acabam por não validar as suas opiniões em detrimento da opinião publicada.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

DISSERTAÇÃO COMUNICAÇÃO E DISPUTAS POLÍTICAS UMA VISÃO SÍNTESE SOB OS CONCEITOS E SLOGANS DAS CAMPANHAS POLÍTICAS NAS ELEIÇÕES DE 2017 EM ANGOLA


COMUNICAÇÃO E OPINIÃO PÚBLICA/LIVRO DE BENTO JOSÉ DOS SANTOS

COMUNICAÇÃO E OPINIÃO PÚBLICA é a segunda obra literária do autor Bento José dos Santos. Publicada no ano 2016 a obra passou a estar disponível para o público em Janeiro do ano 2017. Comunicação e Opinião Pública é um livro científico resultante de um trabalho de pesquisa exploratória de campo, de natureza aplicada qualificativa que analisou a participação dos cidadãos nos meios radiofônicos durante o processo da formação da opinião pública.
A pesquisa até então inédita no campo das ciências da comunicação social angolana, procurou dar respostas as seguintes questões: A Opinião Pública é Realmente Proveniente do Público? Os Meios de Comunicação Social Formam a Opinião Pública? Quem é Figura Pública? O que é a Imagem No Contexto da Opinião Pública? Como Se Forma o Estado de Opiniões e Comentários No Contexto da Opinião Pública? A Sua Opinião é Opinião Pública? (...); e muito mais.
Com uma tiragem de mais de 1500 exemplares a obra  requer já uma nova tiragem dada a elevada procura por parte do público leitor. Comunicação e Opinião Pública aborda a necessidade da mudança de paradigma do modelo de jornalismo angolano que caracteriza-se pelo protecionismo institucional, onde as informações são geralmente extraídas de reportes institucionais, mudando para um modelo de jornalismo mais factual e actuante caracterizado pela investigação jornalística.
Disponível nas livrarias Irmãs Paulinas, Mensagem e na Discoteca Valódia o livro Comunicação e Opinião Pública, se apresenta como um contributo válido de leitura obrigatória para os profissionais da comunicação, assim como do campo científico, estudantes do curso de Comunicação Social e Ciências da Comunicação, e os demais profissionais das áreas das ciências humanas, psicólogos, sociólogos, juristas, economistas entre outras áreas do saber.
Compre e Léia!
Comunicação e Opinião Pública; A Sua Opinião Na Participação Social.

PENSAR SOCIAL, EXERCER CIDADANIA/LIVRO DE BENTO JOSÉ DOS SANTOS


O livro Pensar Social, Exercer Cidadania é uma obra do género metaficção cujo conteúdo aborda problemas sociais sobre a criminalidade, a sinistralidade rodoviária, a perca dos valores morais e sociais e consequentemente apresenta propostas de soluções. Considerada a primeira obra do autor apresentada na esfera pública, a mesma contou com uma tiragem de 2000 exemplares, tendo atingido o macro de vendas de 230 livros no dia da sua apresentação pública. 
Publicada no ano de 2015, o livro Pensar Social, Exercer Cidadania foi considerado pioneiro no mercado literário angolano com estilo gráfico narrativo intercalando os temas entre a ficção e a realidade.    
Entre os capítulos de destaque dá-se realce aos seguintes temas:  Mina Nuclear Lá No Bairro; A Justiça deve Alcançar a Justeza; Quem Foi a Fonte? Sangue no Asfalto; Por Baixo do Capacete; O Discurso do Morto; e muito mais!
Pensar Social, Exercer Cidadania.
Porque Somos Cidadãos Devemos Participar.
                         

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

*PARA QUANDO O FIM DOS DITOS "ESFORÇOS"* 

Por: Bento dos Santos

Talvez eu não seja o único. Talvez alguns tantos como eu já pensaram que não é correcto alguém assumir uma determinada responsabilidade pública ou política, e depois procurar justificativas perante a ausência das suas acções, depois procura justificativas para a ausência do cumprimento do escopo das suas atribuições.

Talvez eu e você não sejamos os únicos, que ao irmos ao hospital, que até onde sabemos foi construído com o objectivo de dar tratamento as enfermidades das pessoas que ai recorrem, mas quando lá chegamos acabamos por ficar estupefactos. Pois quando lá chegamos o tido médico ou medica, nos diz com a arrogância de quem nos faz um favor indisposto: -"nada posso fazer"; e em seguida vem a palavra mágica que o mesmo esta a fazer um esforço para nos atender.

Talvez eu e você não sejamos os únicos que ao recorrer os serviços da Polícia, os agentes e o tal de oficial olham para nós e geralmente nos dizem:
-"não podemos fazer nada, não temos carro, e tambem não temos combustíveis para quando comprarem os carros; se puderem tragam cá o gatuno, porque nós já estamos a fazer um esforço de cá estar"!...

Talvez eu e você não sejamos os únicos a olhar para ela, e impávidos dissemos, ou minha senhora assim também já é demais, o dinheiro é meu, eu só vim cá depositar porque os gatunos lá no bairro são tantos, que agora já não os confundimos com os gatos, agora estamos a confundir os gatunos com a nossa própria sombra. E em seguida perdemos a calma e gritamos eu quero o meu dinheiro, não me interessa se o teu tio sistema não está  ou não eu quero o meu dinheiro agora! O meu filho esta doente e eu preciso do meu dinheiro! Não goza comigo; o dinheiro é meu!

E ficamos assim impávidos!

E ficamos ainda mais impávidos!

Só nos olhamos nos olhos!

E assim vamos. Tipo nada esta a acontecer, afinal as noticias são outras. Afinal os nossos cambas aqueles madiés que preparam a "agenda seting" pensam bué; e sempre nos dão uma esquindiva daqui, e outra "a saia dela tipo nada"...

E ainda ficamos assim...

Só nos olhamos nos olhos!

Até porque construímos as nossas casas, sem nenhum apoio de infraestrutura; a estrada depende da lagoa, a energia só acende o candeeiro de petróleo, a água só do camião do amigo cubano, mas ainda assim inventaram uma tal de "AGT" para nos cobrar porque o espaço do nosso quintal é muito grande!

E assim tipo nada, vamos indo. E quando assistimos ou ao ouvirmos os jornais noticiosos, vimos os titulares do poder executivo a se justificarem que estão a fazer um grande esforço para isto e para aquilo...entenda-se estão a fazer um esforço para cumprirem com algo pelo qual eles juraram fazer e pelo qual até podem ser responsabilizados criminalmente, partindo do princípio que tal pode ocorrer por ser um dever de estado ou mesmo uma obrigação para com a Pátria.

Mas se aqueles que têm a responsabilidade de velar ou até mesmo garantirem as acções do governo, dizem "estarem a fazer um esforço" para nós termos luz, porque a barragem secou, porque agora até já há inovação, e a justificativa mais actual é que a energia vai continuar a falhar por causa do atraso do ciclo hidrológico, e nós ficamos assim... ficamos assim, nós o povo, nós que já fizemos um esforço de requisitar os serviços daqueles que enquanto estado pensamos serem eles que  deviam nos garantir  a assistência, prestando serviços públicos a população!

Mas assim o esforço é de quem?!

É nosso enquanto povo, ou é deles que até foram indicados para sobre nossa vontade exercerem o poder?!

Pois saibam, que entre nós, somos muitos os  que não gostamos dos vossos "ditos esforços", considerando que geralmente as pessoas fazem esforços quando as suas forças estão no limite das suas capacidades.

Por isso ilustres Camaradas, parem de fazer os ditos esforços, e ponham sim as vossas competências e atribuições a serviço de quem vos dá o direito de exercer o poder, no caso parem de suscitar apanágios quando na realidade o que vocês devem fazer é nada mais do que cumprirem com as vossas obrigações!!!

E mais nada pá!